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  • Foto do escritorIgor Emerich

Sobre os estudos do Jesus histórico – parte I

Atualizado: 12 de jun. de 2023



A diferença entre o Jesus real, o Jesus histórico e o Jesus da teologia


Há muitas diferenças entre o “Jesus real”, o “Jesus histórico” e o “Jesus teológico”. O Jesus real é aquele ser humano que teria existido na Palestina do primeiro século e que nos é inacessível; o Jesus histórico é uma tentativa de reconstrução desse Jesus real com base em fontes históricas, métodos e critérios científicos; enquanto o Jesus teológico é uma formulação dos primeiros cristãos, criada após a morte do Jesus real.


Em sua monumental obra em cinco volumes intitulada Um Judeu Marginal: Repensando o Jesus Histórico, o grande estudioso do Novo Testamento e do Jesus histórico, padre John Paul Meier (2003, p. 20), esclarece que: “Em contraste com o ‘Jesus real’, o ‘Jesus histórico’ é aquele podemos recuperar ou reconstruir usando as ferramentas científicas da moderna pesquisa histórica. O ‘Jesus histórico’ é, por tanto, um constructo científico, uma abstração teórica de estudiosos modernos que coincide apenas em parte com o verdadeiro Jesus de Nazaré, o judeu que de fato viveu e atuou na Palestina, no século I A.D”. Meier prossegue dizendo que: “Se o Jesus histórico não é o Jesus real, tampouco é o ‘Jesus teológico’ investigado por teólogos, segundo seus próprios métodos e critérios. Em outras palavras, a busca do Jesus histórico deve ser cuidadosamente diferenciada da cristologia, ou seja, a reflexão teológica sistemática sobre Jesus Cristo, como objeto da fé cristã”.


Como veremos na segunda parte deste estudo, são poucas as fontes sobre Jesus, e as que temos são problemáticas do ponto de vista histórico, o que lança enormes desafios aos estudiosos do Jesus histórico.



 

Bibliografia


MEIER, John P. Um judeu marginal: repensando o Jesus histórico. Vol. 3, liv. 1. Rio de Janeiro: Imago, 2003. (Coleção Bereshit).




* Sobre a imagem que ilustra a capa deste post: Em 2001, um britânico especialista forense em reconstruções faciais chamado Richard Neave, baseando-se em três crânios do primeiro século, encontrados na mesma região em que Jesus viveu, fez uso do conhecimento cientifico na reconstrução da face de um judeu daquele período e lugar. Ou seja, o rosto de Jesus de Nazaré teria feições parecidas com o da reconstrução feita por Neave, com base científica, diferente, portanto, da imagem de Jesus Cristo criada pela Igreja Católica durante o medievo, um Jesus de pele clara, olhos claros e cabelos loiros, lembrando um europeu.


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